Cidades prósperas nos EUA: 5 fatores definem as regiões mais bem posicionadas do país

por Grupo Editores Blog.

O que faz uma cidade americana prosperar no longo prazo? Para o Geography of Prosperity Index, um índice que mede a riqueza e a capacidade de crescimento das 250 maiores áreas urbanas dos Estados Unidos, a resposta vai além de empregos e economia. Alta densidade populacional, bons sistemas de transporte e infraestrutura educacional sólida aparecem como a base, mas a posição de cada região depende de cinco dimensões que costumam ficar fora dos rankings tradicionais.

O que o índice de “cidades prósperas” mede

A classificação combina dados de agências federais, pesquisas acadêmicas e fontes proprietárias para avaliar cada região metropolitana em cinco categorias. A primeira é a renovação populacional, que considera a capacidade demográfica da área, incluindo tendências de fertilidade e envelhecimento. A segunda é a resiliência climática, que avalia o quanto uma região é suscetível a mudanças ambientais e o quanto está preparada para responder a elas e se recuperar.

A terceira categoria é a prontidão para a automação, ou seja, o quanto a economia e a força de trabalho local estão preparadas para o avanço tecnológico, inclusive a inteligência artificial. A quarta é a coesão social, que reúne engajamento cívico e sentimento de comunidade, e a quinta é a governança e visão de futuro, que olha para a liderança local e o planejamento de longo prazo.

Segundo Bradley Schurman, CEO da consultoria Human Change e cocriador do índice, essas dimensões foram escolhidas por serem “as questões mais urgentes para o país neste momento”. Ele reconhece a importância dos empregos e da economia, mas lembra que há muitos fatores abaixo da superfície que precisam ser considerados para que uma cidade seja saudável.

As 10 regiões mais prósperas

A área metropolitana de Nova York, Jersey City e Newark ocupa o primeiro lugar. Em seguida vêm Durham, na Carolina do Norte, e Ann Arbor, em Michigan, seguidas por Boston e pela dupla Seattle e Tacoma. A segunda metade do ranking reúne Washington e Arlington, na Virgínia, Frederick, em Maryland, Raleigh, também na Carolina do Norte, Albany e Schenectady, no estado de Nova York, e São Francisco e Oakland.

A lista mistura grandes metrópoles com cidades universitárias e polos de pesquisa de médio porte, o que reforça o peso da educação e da inovação na equação da prosperidade.

O retrato de Nova York: forte em coesão, fraca em governança

O detalhamento da região líder revela contrastes instrutivos. A área de Nova York e Newark recebeu nota 95 em coesão social e 82 em resiliência climática, resultados que mostram vínculos comunitários fortes e boa capacidade de enfrentar mudanças ambientais. Sua menor nota, no entanto, foi 40 em governança e visão de futuro, indicando que mesmo a região mais próspera do país tem dificuldades de planejamento de longo prazo.

Esse dado é um lembrete de que liderar o ranking não significa ter acertado em tudo. A prosperidade atual pode esconder fragilidades que só aparecem quando as condições mudam.

O caso que expõe o risco da renovação populacional

No extremo oposto do ranking está The Villages, uma comunidade planejada para aposentados na Flórida, que ficou com a menor pontuação geral. Parte da explicação é a nota 2 em renovação populacional, já que cerca de 85% dos moradores têm 65 anos ou mais, segundo o Censo americano, o que os coloca fora da idade fértil. Para Schurman, a comunidade é “dependente de gente se mudando para lá”.

O exemplo ajuda a entender por que a demografia pesa tanto no índice: um lugar que não renova sua população precisa atrair novos moradores constantemente para sustentar a economia e os serviços.

Um índice que ainda vai crescer

Os criadores do índice pretendem ampliar os critérios nos próximos anos. Em 2027, a análise passará a incluir a acessibilidade financeira, e em 2028 deve estudar o nível de “liberdades” para pessoas negras, mulheres e a comunidade LGBT. Schurman admite que a ferramenta não é perfeita, porque não existe medida perfeita de um lugar. Em suas palavras, o índice funciona como uma bússola, apontando para locais preparados para o sucesso.

O que isso ensina ao Brasil

Embora o estudo trate exclusivamente de regiões americanas, a lógica serve de referência para gestores brasileiros. Rankings de cidades costumam privilegiar renda, emprego e infraestrutura, mas deixam de lado dimensões como renovação demográfica, preparação para a automação, coesão social e qualidade do planejamento de longo prazo. Com o envelhecimento da população brasileira e o avanço da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, essas variáveis tendem a pesar cada vez mais. Municípios que começarem a medi-las agora terão uma vantagem importante para decidir onde investir antes que os problemas se tornem visíveis.

 

Artigo adaptado de smartcitiesdive.com

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