Quando se fala em crescimento econômico, grandes metrópoles costumam roubar a cena. Um estudo nos Estados Unidos, porém, aponta para outra direção. As cidades pequenas podem guardar uma oportunidade de até US$ 2 trilhões.
A estimativa é da McKinsey e da Heartland Forward. O estudo analisou comunidades americanas com 10 mil a 49.999 habitantes. O resultado traz uma provocação também para o Brasil. Municípios menores podem crescer quando conhecem seus ativos e conseguem organizar investimentos.
Cidades pequenas dos EUA têm muito peso econômico
Nos Estados Unidos, essas comunidades são chamadas de micropolitan areas. Existem 538 delas no país. Cerca de 62% estão nos 20 estados do centro americano analisados pelo estudo.
Essa região reúne 39% da população dos Estados Unidos. Também produz aproximadamente 35% do Produto Interno Bruto americano.
Apesar disso, recebe apenas 10% dos investimentos de venture capital. Nos empréstimos para capital fixo, a participação chega a 29%.
A conta apresentada pelo estudo é direta. Se a região aproximasse sua participação nos investimentos de seu peso econômico e populacional, poderia gerar US$ 2 trilhões adicionais.
Não significa que o dinheiro esteja simplesmente esperando por um novo destino. O desafio está em criar condições para que o capital encontre oportunidades reais.
O que os EUA podem ensinar ao Brasil
A realidade americana não pode ser transportada diretamente para o Brasil. Nossos municípios possuem diferenças econômicas, sociais e territoriais importantes.
Ainda assim, existe uma questão em comum. Muitas cidades menores precisam encontrar uma vocação econômica própria.
No Brasil, isso pode significar fortalecer uma cadeia agrícola, desenvolver turismo ou apoiar pequenas indústrias. Também pode envolver logística, tecnologia ou serviços especializados.
O primeiro passo é descobrir onde já existe potencial. O segundo é criar condições para ampliar esse potencial.
É preciso vender menos promessas
Um dos pontos mais interessantes do estudo americano está na chamada preparação para investimentos. A proposta é olhar para dados antes de apresentar projetos a investidores.
A análise considera terrenos disponíveis, moradia, transporte e internet. Também avalia escolas, saúde, custo de vida e acesso a capital.
Essa lógica poderia ser útil para municípios brasileiros. Em vez de anunciar apenas incentivos fiscais, a prefeitura pode apresentar um diagnóstico completo.
Quantos trabalhadores estão disponíveis? Há áreas industriais? A internet suporta novas empresas? Existem fornecedores locais?
Perguntas simples podem revelar oportunidades que passam despercebidas.
Um município americano mostra como fazer
Ottumwa, em Iowa, aparece como exemplo no levantamento. Desde 2006, governo, empresas e organizações locais trabalham juntos para revitalizar áreas da cidade.
Os investimentos envolveram infraestrutura, imóveis, habitação e recuperação urbana. A estratégia aproveitou ativos que já existiam.
McPherson, no Kansas, seguiu outro caminho. Com cerca de 14 mil habitantes, a cidade apostou na indústria especializada.
A Pfizer investiu US$ 350 milhões em sua unidade local desde 2015. Centenas de trabalhadores foram contratados.
São histórias diferentes, mas com uma mesma lógica. Cada município buscou uma vantagem própria.
E as cidades pequenas brasileiras?
No Brasil, muitos municípios enfrentam dificuldades para atrair grandes empresas. A disputa por investimentos também costuma favorecer grandes centros.
Isso não significa que cidades menores estejam condenadas à estagnação. Pelo contrário. A proximidade entre governo, empresas e moradores pode facilitar decisões.
Consórcios regionais também podem ampliar essa capacidade. Uma cidade pode ter mão de obra, outra pode oferecer logística. Uma terceira pode concentrar fornecedores.
Juntas, elas podem formar uma região econômica mais competitiva.
Cidades inteligentes precisam olhar além da tecnologia
O conceito de cidades inteligentes também cabe nessa discussão. Uma cidade conectada não é necessariamente uma cidade preparada para crescer.
Internet, dados e serviços digitais precisam apoiar decisões econômicas. A prefeitura pode usar informações para mapear imóveis, empresas, trabalhadores e infraestrutura.
Isso ajuda a transformar planejamento em ação. Também permite apresentar aos investidores informações concretas sobre o município.
O estudo dos Estados Unidos deixa uma lição interessante para prefeitos brasileiros. Não existe um modelo pronto de desenvolvimento.
As cidades pequenas precisam identificar seus pontos fortes. Depois, devem reunir governo, empresas e comunidade em torno deles.
Nos EUA, essa estratégia pode abrir uma oportunidade estimada em US$ 2 trilhões. No Brasil, o valor será outro. Mas a pergunta é parecida: quanto potencial econômico está escondido nos municípios que ainda não aprenderam a mostrar o que têm?
Artigo adaptado de smartcitiesdive.com

