Casas acessíveis em Nova York: 12 bairros querem resolver a crise habitacional

por Grupo Editores Blog.

Nova York está na menor taxa de vacância habitacional desde 1968: apenas 1,4% dos imóveis da cidade estão disponíveis para locação. Nesse cenário, a administração do prefeito Zohran Mamdani anunciou uma medida que vai além do incentivo à construção: obrigar bairros que historicamente não fizeram sua parte a contribuir para a oferta de casas acessíveis. Doze distritos foram selecionados para um programa de aprovação acelerada que entra em vigor em janeiro de 2027, comprimindo o processo de revisão de uso do solo de sete meses para 90 dias.

O problema que os números expõem

Nos últimos cinco anos, os 12 bairros selecionados para o fast track produziram juntos 724 casas acessíveis. Em números absolutos, isso parece razoável, mas representa apenas 1,1% das 63.870 unidades de habitação acessível criadas em toda a cidade no mesmo período. A concentração da produção habitacional em determinados bairros, enquanto outros pouco ou nada contribuem, é um dos fatores que perpetuam a desigualdade espacial em Nova York.

“A crise habitacional de Nova York não vai ser resolvida pedindo aos mesmos bairros para fazer toda a construção”, disse Mamdani. “Todo nova-iorquino merece uma casa que pode pagar, e todo bairro deve fazer parte da entrega disso.”

Dos 12 distritos selecionados, cinco estão em Queens, três no Brooklyn, dois em Manhattan e dois em Staten Island. A lista será recalculada a cada cinco anos.

O que muda com o novo programa de casas acessíveis

O programa, aprovado pelos eleitores de Nova York em novembro de 2025, reduz o processo de revisão de uso do solo para projetos de habitação acessível nos bairros selecionados de sete meses para 90 dias. Pesquisas recentes mostram que processos de licenciamento mais longos estão frequentemente associados a menor produção habitacional nas cidades, o que torna a aceleração burocrática uma alavanca direta sobre o volume de unidades entregues.

A comissária de Preservação e Desenvolvimento Habitacional, Dina Levy, foi direta ao enquadrar o propósito: “Todo bairro tem um papel a desempenhar para tornar nossa cidade mais justa e acessível.”

A meta que está por trás

O fast track para os 12 bairros é parte do plano habitacional Block by Block do prefeito Mamdani, que prevê a criação de 200 mil novas casas acessíveis e a preservação de outras 200 mil nos próximos dez anos. Para uma cidade que produziu menos de 13 mil unidades acessíveis por ano nos últimos cinco anos, a meta exige uma aceleração significativa, tanto na simplificação regulatória quanto na distribuição geográfica da construção.

O que outras cidades podem aprender sobre as casas acessíveis

A estratégia de Nova York combina dois instrumentos pouco usados juntos: a identificação objetiva de quais bairros estão subcontribuindo para a habitação acessível e a criação de incentivos processuais para corrigir esse desequilíbrio. A lógica é que a crise habitacional urbana não é só um problema de oferta total, mas de distribuição espacial: quando a construção acessível se concentra em áreas já saturadas, o resultado é segregação, não solução.

Para cidades brasileiras que debatem políticas habitacionais e ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social), o modelo nova-iorquino de accountability por distrito e aceleração de licenciamento em bairros com baixa contribuição histórica é uma referência concreta. A ideia de que “cada bairro deve fazer sua parte” é politicamente difícil em qualquer cidade, mas Nova York está construindo o arcabouço regulatório para torná-la possível na prática.

 

Texto adaptado de smartcitiesdive.com

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