Aeronave marítima elétrica não é nem barco, nem avião, e voa 30 metros acima da água

por Grupo Editores Blog.

Uma embarcação elétrica de 12 passageiros decolou da superfície da Baía de Narragansett, em Rhode Island, voou a cerca de 30 pés acima da água e completou seu quinto voo de teste diante de mais de 600 espectadores. O que a Regent Craft está construindo não se encaixa perfeitamente em nenhuma categoria existente: não é um barco, não é um avião, não é um helicóptero. É um Seaglider, e pode ser o futuro do transporte marítimo de curta e média distância.

O que é uma aeronave marítima e como funciona

O Viceroy, modelo desenvolvido pela Regent, opera em três modos distintos numa mesma viagem. Na saída do cais, navega sobre seu casco em baixa velocidade, como uma embarcação convencional. À medida que ganha velocidade e se afasta do porto, foils hidráulicos elevam o casco para fora da água, reduzindo o atrito. Com velocidade suficiente, a nave decola e passa a voar sobre um colchão de ar formado entre suas asas e a superfície da água, usando um fenômeno físico conhecido em aviação como “efeito solo”.

“Esses foils estão levantando o casco para fora da água com facilidade”, disse Billy Thalheimer, cofundador e CEO da Regent, durante a demonstração. O Viceroy pode voar a até 180 mph por distâncias de até 180 milhas. Como opera geralmente entre 30 e 40 pés acima da superfície da água, não entra no espaço aéreo regulado pela FAA americana, embora a agência esteja cooperando com a empresa no desenvolvimento do produto.

A certificação que a Regent busca é da Guarda Costeira dos EUA, não da aviação civil. Cada voo de teste aprimora o veículo e os procedimentos operacionais em direção a essa aprovação.

O mercado que a empresa está mapeando

Larry Wirsing, vice-presidente de programas da Regent, foi direto sobre para quem o Seaglider é pensado: cidades costeiras, operadores de ferry e empreendedores do setor de transporte marítimo. “Mapeamos praticamente todas as comunidades costeiras do mundo onde acreditamos que o segmento de mercado existe”, disse ele.

Trajetos de aproximadamente 30 a 320 quilômetros são o ponto ideal para o Viceroy: longe demais para uma balsa convencional ser competitiva em tempo, mas perto demais para justificar um avião com toda a logística de aeroporto que ele exige. Pense nas conexões entre ilhas e o continente, entre cidades costeiras de uma mesma região, ou entre portos que hoje dependem de ferries lentos.

Para o Brasil, esse perfil de rota descreve dezenas de conexões ao longo de mais de 7.000 quilômetros de costa, sem contar a Amazônia, onde comunidades ribeirinhas dependem de embarcações lentas para qualquer deslocamento.

Infraestrutura e prazo de entrega

A Regent inaugurou sua fábrica de 255.000 pés quadrados em North Kingston, Rhode Island, no mesmo dia da demonstração pública. A empresa planeja entregar os primeiros Seagliders a clientes ainda em 2027 e, a partir daí, escalar a produção para até 75 unidades por ano.

O veículo mostrado ao público é o protótipo de 12 passageiros, com um capitão marítimo e um oficial de bordo durante os testes. A empresa também demonstrou o Squire, uma versão autônoma menor e sem passageiros do mesmo conceito, voltada para aplicações de defesa e comerciais.

Por que isso importa para o transporte costeiro

A promessa do Seaglider é combinar a velocidade próxima à da aviação com a simplicidade operacional e a pegada de carbono de uma embarcação elétrica. Sem necessidade de pista de pouso, sem dependência de aeroportos, sem as restrições burocráticas da aviação civil. Um pier adaptado pode ser suficiente como ponto de embarque e desembarque.

Para regiões com geografia costeira complexa ou com rios navegáveis de grande porte, a tecnologia de efeito solo pode ser a combinação que o transporte de passageiros esperava: mais rápida do que o ferry, mais acessível do que o avião, elétrica e capaz de operar onde a infraestrutura aeroportuária simplesmente não existe. Se a Regent conseguir certificação, clientes e escala de produção, o Seaglider pode ser uma das histórias de mobilidade mais interessantes da próxima década.

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