As cidades podem tornar a energia solar mais rápida e acessível para moradores?

por Grupo Editores Blog.

Texto adaptado de smartcitiesdive.com

Nos Estados Unidos, um relatório do Environment America Research & Policy Center e do Frontier Group revelou que muitas cidades estão tornando a energia solar inacessível, não por falta de tecnologia ou recursos, mas pela complexidade administrativa imposta localmente.

Processos de aprovação lentos, vistorias redundantes e taxas desnecessárias encarecem tanto a instalação que empresas do setor simplesmente evitam certas jurisdições. O resultado: moradores que mais precisariam de energia mais barata ficam fora do alcance dos benefícios da energia solar.

Embora sistemas solares residenciais possam reduzir a conta de luz em mais de 80%, “a economia proporcionada pela energia solar está fora do alcance de muitos por causa da burocracia custosa”, disse Nick Josefowitz, fundador do grupo de advocacy Permit Power.

Para gestores públicos brasileiros, o paralelo é direto. O marco regulatório da micro e minigeração distribuída (Lei 14.300/2022) abriu caminho legal para a energia solar residencial. Mas gargalos no nível municipal ainda travam a expansão.

O que os municípios podem controlar

Decisões tomadas no nível municipal determinam diretamente se instalar energia solar será rápido e acessível ou lento e caro, e as empresas instaladoras já respondem a isso, evitando jurisdições com processos imprevisíveis, segundo dados do National Renewable Energy Laboratory.

O relatório Solar Permitting Scorecard identificou sete alavancas que cidades podem acionar para reduzir custos e aumentar a adoção de energia solar residencial:

  1. Licenciamento automático ou instantâneo para sistemas residenciais padronizados, eliminando filas de análise manual para instalações de baixa complexidade.
  2. Vistoria única ou remota, reduzindo a necessidade de múltiplas visitas técnicas presenciais por meio de inspeção digital e checklists padronizados.
  3. Padronização de códigos de construção alinhados à legislação estadual e federal, evitando exigências locais contraditórias ou redundantes.
  4. Redução ou isenção de taxas de licenciamento para sistemas solares residenciais, especialmente em regiões de baixa renda.
  5. Remoção de restrições estéticas impostas por associações de moradores ou conselhos municipais que bloqueiam instalações em telhados visíveis.
  6. Permissão para modelos de propriedade por terceiros, como leasing e financiamento via concessionárias, ampliando o acesso para quem não tem capital inicial.
  7. Simplificação das regras de conexão à rede, garantindo que consumidores sejam remunerados pela energia que injetam no sistema (net metering e mecanismos equivalentes).

Como os estados norte-americanos estão se saindo

O Solar Permitting Scorecard avaliou todos os estados dos EUA com base em suas políticas de licenciamento e vistoria. Califórnia e Texas receberam nota B; Nova Jersey e Colorado, C; todos os demais estados ficaram com D ou F — revelando que a maioria ainda opera com processos defasados.

Califórnia e Nova Jersey já aprovaram legislação que obriga municípios a oferecerem licenciamento instantâneo para sistemas solares residenciais. “Este relatório deixa claro: cortar a burocracia no licenciamento solar é uma medida de baixo custo para ajudar famílias a reduzir suas contas de energia”, disseram em nota conjunta o senador John McKeon e o deputado Robert Karabinchak, de Nova Jersey.

Significado na prática

Prefeitos e gestores municipais têm competência para atuar diretamente em ao menos quatro das sete alavancas listadas: simplificação do licenciamento local, padronização de exigências técnicas, redução de taxas e remoção de barreiras estéticas. Isso não exige orçamento adicional, exige revisão regulatória.

Do ponto de vista fiscal, municípios que facilitam a instalação solar tendem a registrar crescimento na atividade econômica do setor, com reflexos positivos na arrecadação de ISSQN sobre serviços de instalação e no dinamismo do mercado local.

O ponto de partida recomendado é um diagnóstico simples: quanto tempo leva, em média, o licenciamento de um sistema solar no município? Quantas vistorias são exigidas? Qual o valor das taxas cobradas?

Com esse mapeamento, é possível identificar quais mudanças geram o maior impacto com o menor esforço operacional, e posicionar o município como referência em desburocratização e acesso à energia limpa.

 

Você também pode se interessar por:

Deixar um Comentário