Texto adaptado de smartcitiesdive.com
Tecnologias automatizadas de fiscalização de trânsito mostraram reduções em:
- Colisões
- Excesso de velocidade
- Avanço de sinal vermelho
Mas permanecem controversas.
Dezembro 2024: O Departamento de Transporte dos EUA (DOT) anunciou que aprovará verba para câmeras de segurança apenas em:
- Zonas escolares
- Zonas de obras
Sob programa Safe Streets and Roads for All.
Contexto: Pelo menos 7 estados americanos têm leis que proíbem uso de câmeras de sinal vermelho para fiscalização, segundo National Conference of State Legislatures.
Segurança vs Receita
Crítica comum
“Câmeras automatizadas fazem pouco mais que gerar receita“.
Resposta dos defensores
“Esses fundos frequentemente voltam para melhorias de segurança viária”, diz Will Barnow, vice-presidente de Parcerias Estratégicas da Verra Mobility (líder em sistemas de fiscalização de trânsito).
“Precisamos construir confiança de que esses não são apenas programas geradores de receita, mas realmente centrados em segurança“, afirmou Barnow.
Estratégia: “Trabalhamos com nossos parceiros para sempre liderar com mensagens de segurança e garantir que sejam transparentes com as comunidades”.
O problema: mortes no trânsito
Excesso de velocidade
29% das fatalidades de trânsito em 2024 foram causadas por velocidade.
Total: Quase 12.000 mortes.
Fonte: National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA)
Avanço de sinal vermelho
Mais de 1.000 pessoas morreram em 2023 devido a motoristas avançando sinal vermelho.
Fonte: Insurance Institute for Highway Safety (IIHS)
Uso de câmeras nos EUA (2025)
338 programas de câmeras de velocidade 351 programas de câmeras de sinal vermelho
Fonte: IIHS
Total: ~689 programas em operação.
Resultados comprovados
San Francisco: 72% de redução em velocidade
15 locais monitorados.
Período: Seis meses após instalação de câmeras (2024).
Resultado: Velocidade excessiva caiu 72% em média.
Nova York: 30 anos de programa
O programa de sinal vermelho opera há 3 décadas.
Resultados:
- 73% de redução em violações de sinal vermelho
- 65% de queda em colisões em T (T-bone crashes)
- 49% menos colisões traseiras em cruzamentos com câmeras
Fonte: NYC Department of Transportation
Filadélfia: 95% de Redução
Corredor principal monitorado desde 2020.
Resultado: Violações de velocidade caíram 95%.
Fonte: Verra Mobility
Como funciona na prática
Implantação gradual
1. Sinalização Prévia Placas avisam motoristas sobre câmeras à frente.
2. Período de Aviso Primeiras semanas/meses: câmeras não multam, apenas alertam.
3. Divulgação Comunitária Reuniões públicas, anúncios, explicações sobre objetivo (segurança, não receita).
4. Início da Fiscalização Após período de adaptação, multas começam a ser aplicadas.
Objetivo duplo
“Quando implantamos um programa, é realmente sobre uma coisa: salvar vidas ou reduzir lesões e colisões”, diz Barnow. “Mas além disso, é sobre mudar comportamento perigoso de direção”.
Por que a controvérsia?
1. Percepção de “armadilha de receita”
Crítica: Câmeras são colocadas onde geram mais multas, não onde há mais acidentes.
Exemplo alegado: Sinais amarelos com duração reduzida artificialmente para aumentar avanços de sinal.
Contra-argumento: Agências de trânsito negam, dizem que câmeras são colocadas em pontos de alto risco.
2. Privacidade
Crítica: Câmeras rastreiam movimentos de veículos.
Resposta: Fotos capturam apenas placas e momento da infração, não rastreamento contínuo.
3. Devido processo
Crítica: A multa chega pelo correio, sem chance de contestar presencialmente.
Resposta: Sistemas permitem contestação online ou por escrito, com fotos/vídeos como evidência.
4. Erro humano na configuração
Crítica: Câmeras mal calibradas multam injustamente.
Resposta: Manutenção regular e auditoria de precisão são essenciais.
5. Impacto desproporcional em pobres
Crítica: Multas de $50-200 pesam mais em famílias de baixa renda.
Resposta: Alguns programas oferecem descontos para baixa renda ou permitem pagamento em parcelas.
Onde câmeras são proibidas (EUA)
Pelo menos 7 estados proíbem câmeras de sinal vermelho.
Razões legislativas:
- Lobby anti-câmeras
- Argumentos de privacidade
- Desconfiança sobre motivação financeira
Consequência: Cidades nesses estados não podem usar tecnologia comprovadamente eficaz.
Brasil: realidade diferente
Uso extensivo de radares
O Brasil tem milhares de radares eletrônicos fixos e móveis.
Contran: Regulamenta instalação, sinalização, calibração.
Código de Trânsito Brasileiro (CTB): Permite fiscalização eletrônica.
Redução de velocidade Máxima (2024)
Resolução Contran 916/2022 (implementada gradualmente):
- Vias arteriais urbanas: 50 km/h → 40 km/h (em muitos casos)
- Vias coletoras: 40 km/h → 30 km/h
Objetivo: Reduzir fatalidades (pedestres têm 90% de chance de sobreviver atropelamento a 30 km/h, 50% a 50 km/h).
Como disse Will Barnow: “Quando implantamos um programa, é sobre salvar vidas. Mas além disso, é sobre mudar comportamento perigoso“.
29% das mortes no trânsito são por velocidade. 12.000 mortes em 2024 (EUA). Mais de 1.000 mortes por avanço de sinal vermelho em 2023.
Câmeras não são panaceia. Mas são ferramenta comprovada.
Brasil: 35 mil mortes/ano no trânsito.
Podemos reduzir esse número.
Câmeras são parte da solução.

