Comitê Gestor do IBS vai comandar R$ 1 trilhão por ano e muda o federalismo fiscal

por Gabriela Velvetcomunicacao

O Comitê Gestor do IBS é o novo órgão responsável por administrar o Imposto sobre Bens e Serviços. Ele nasce com a missão de coordenar a arrecadação e a distribuição de cerca de R$ 1 trilhão por ano. Esse valor substituirá tributos atuais sobre consumo, como ICMS e ISS. Para auditores fiscais, prefeitos e gestores municipais, trata-se de uma mudança estrutural no pacto federativo.

O modelo cria uma gestão compartilhada entre estados e municípios. O Comitê Gestor do IBS passa a ter papel central na normatização, fiscalização e repasse das receitas. A proposta busca mais integração, com regras únicas e sistemas digitais modernos. Essa lógica dialoga com o conceito de cidades inteligentes, que dependem de dados, tecnologia e governança integrada.

O que é o Comitê Gestor do IBS e qual sua função

O Comitê Gestor do IBS é uma entidade autônoma com independência técnica, administrativa e financeira. Sua função é administrar de forma unificada o novo imposto sobre consumo. Ele terá sede no Distrito Federal e atuará em todo o país.

Entre suas competências estão a edição de normas gerais do IBS, a coordenação da arrecadação e a distribuição das receitas entre estados e municípios. O órgão também será responsável por uniformizar a interpretação da legislação. Isso reduz conflitos e aumenta a segurança jurídica.

Para os fiscos municipais, o Comitê Gestor do IBS representa uma nova etapa de cooperação. Pela primeira vez, entes subnacionais vão compartilhar a gestão de um imposto de base ampla. Essa estrutura exige diálogo constante e decisões técnicas bem fundamentadas.

Estrutura do Comitê Gestor do IBS garante paridade

O Comitê Gestor do IBS é formado por 54 membros titulares, sendo 27 representantes dos estados e do Distrito Federal e 27 representantes dos municípios. As decisões seguem um modelo bicameral. Isso significa que estados e municípios votam em câmaras separadas.

Para aprovar uma medida, é necessária maioria em cada câmara. Também é exigido quórum populacional mínimo. Esse desenho impede que apenas um grupo imponha sua vontade. A governança busca equilíbrio entre poder político e peso econômico.

Essa lógica reforça a autonomia municipal. Ao mesmo tempo, exige maturidade institucional. O processo decisório será mais complexo, porém mais legítimo. Em um cenário de cidades inteligentes, a governança compartilhada é peça-chave para políticas públicas baseadas em dados.

Poderes do Comitê Gestor do IBS na prática

O Comitê Gestor do IBS terá poder normativo relevante. Caberá ao órgão editar o regulamento do imposto e definir procedimentos fiscais padronizados. Também poderá estabelecer atos conjuntos com a União, quando necessário.

Na área operacional, o comitê coordenará a arrecadação e a apuração automática do tributo. Um dos mecanismos previstos é o split payment, que divide o valor do imposto no momento do pagamento. Isso reduz inadimplência e aumenta a transparência.

O órgão ainda atuará na fiscalização e no contencioso administrativo. Haverá uniformização de entendimentos e julgamento de conflitos. Para auditores fiscais, isso exige atualização constante e integração de sistemas.

A transparência também está entre as atribuições. O comitê terá orçamento próprio e deverá prestar contas à sociedade. Em um ambiente de cidades inteligentes, o uso de tecnologia e dados abertos será essencial.

Comitê Gestor do IBS em comparação internacional

O modelo brasileiro dialoga com experiências internacionais. Na Índia, o GST Council administra o imposto sobre bens e serviços. União e estados participam das decisões, mas o governo central tem peso relevante. O arranjo brasileiro adota paridade entre estados e municípios.

No Canadá, existe harmonização entre tributos federais e provinciais. Porém, não há um comitê autônomo com poder deliberativo conjunto como no Brasil. As províncias podem optar por modelos diferentes, e a coordenação ocorre por acordos.

Já na União Europeia, o VAT Committee atua como órgão consultivo. Ele busca uniformizar a aplicação do IVA, mas não possui poder vinculante amplo. Já na Alemanha e no México, a partilha de receitas ocorre por fórmulas negociadas.

O Comitê Gestor do IBS combina elementos desses modelos e cria algo novo. Trata-se de uma entidade autônoma, com governança compartilhada e poder real de decisão. Isso coloca o Brasil em posição de inovação institucional.

Desafios do Comitê Gestor do IBS até 2033

A transição será longa. Até 2033, o IBS coexistirá com tributos atuais. O Comitê Gestor do IBS precisará coordenar sistemas paralelos. Isso exige planejamento, treinamento de equipes e investimentos em tecnologia.

Outro desafio é operacionalizar a distribuição correta das receitas para mais de cinco mil municípios. Erros podem gerar impacto direto nos orçamentos locais. Prefeitos e secretários de finanças devem acompanhar cada etapa.

A regulamentação detalhada também demandará esforço técnico intenso. Centenas de normas precisarão ser editadas. O consenso entre 54 membros será fundamental.

Para gestores municipais, a mensagem é clara. É preciso se preparar desde já. A lógica do IBS conversa com cidades inteligentes, integração de dados e gestão eficiente. O novo modelo pode fortalecer a autonomia local, desde que haja participação ativa e qualificação técnica.

O Comitê Gestor do IBS inaugura uma fase de federalismo cooperativo. Desse modo, seu sucesso dependerá da capacidade de diálogo e da qualidade das decisões tomadas nos próximos anos.

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