O absurdo caso de racismo estrutural, ao vivo, na Globo

por Grupo Editores Blog.

 

O racismo estrutural ocorre quando uma prática racista ou preconceituosa acontece sem que o autor se dê conta do que fez. É quando fala-se ou tem-se alguma atitude ou prática que afeta um grupo, sem que se perceba. Isso infelizmente acontece porque alguns comportamentos ou falas se tornaram tão comuns, tão enraizados na sociedade, que por vezes reproduzimo-nos sem que sequer percebamos.

 

É como quando falamos que fulano faz coisas “como uma garota” ou associamos um padrão de atitude a um determinado grupo.

 

Um exemplo prático de racismo estrutural aconteceu no sábado, dia 11 de junho, na própria TV Globo. Ele é o tema do nosso artigo de hoje.

 

Caso absurdo de racismo estrutural vai ao ar na TV Globo

 

O exemplo a seguir não só aconteceu na TV Globo como foi ao ar no programa É de Casa, às 11h horas da manhã.

 

Em resumo, a apresentadora do programa matinal, Talitha Morete, convidou a cozinheira Silene para participar do programa. A cozinheira vende cocadas feitas por ela em um salão de beleza no Rio de Janeiro.

 

Já se encaminhando para o final do programa, Silene estava interagindo, em sua cadeira, com outros participantes e apresentadores. Foi então que Talitha deu uma “ideia”: que ela poderia se levantar e servir todos os participantes da roda com a sua cocada.

 

“A dona da cocada vai fazer as honras da casa. Vai servir todos nós, Silene. Por favor, pode oferecer porque está todo mundo querendo” .

 

De acordo com o professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Igor Sacramento, o preconceito ocorrido ali é um exemplo clássico de racismo estrutural. Há uma crença, ainda que subjetiva e inconsciente, de que os corpos negros estão ali para nos servir. De acordo com ele, em entrevista à Veja, “o racismo também é estrutural quando práticas corriqueiras como a ocorrida atribuem ao corpo negro o lugar da subalternidade escravograta”. É uma herança que carregamos como sociedade e precisamos revertê-la.

 

O que nos faz pensar que a mulher negra e cozinheira deveria nos servir? E não a jornalista branca? Por que é que quem deve fazer as honras é essa pessoa, e não a própria apresentadora? Por que a mulher preta, que inclusive é vencedora da melhor cocada da edição do programa, foi constrangida na frente dos demais à servir? Por que brancos não podem servir negros? Por que as “honras da casa”, que são lavar, cozinhar, servir, passar é uma tarefa das mulheres e não associada ao público masculino?

 

Para muitos a situação pode parecer exagero. Mas pense bem: você acredita que essa fala teria espaço se estivéssemos falando de um cozinheiro? E mais: de um homem branco? Você realmente acredita que ele seria convidado a levantar e servir cocada aos demais participantes?

 

Ainda de acordo com o professor, não pode haver exagero quando é certo afirmar que o racismo está presente cotidianamente e em todas as nossas relações sociais. Afinal, o Brasil tem origem escrava e foi o último país do mundo a abolir a escravização dos negros. Por muitos anos, talvez séculos, isso ainda refletirá em nosso DNA e cotidiano.

 

Falas e atitudes como essa fazem parte das nossas estruturas. Elas estão em nossos vínculos, relações, subjetividades, desejos, organizações, sociabilidades e até nas relações sociais. Aos poucos, e com a exposição de atitudes como essa, conseguirmos enxergar um pouco de um cenário em que os negros já não serão mais relativizados e inferiorizados. Vamos, juntos, em busca de uma sociedade verdadeiramente igual para todas as minorias. Quem concorda?

 

E você? O que achou desse absurdo escancarado a nível nacional? Vamos debater a temática nos comentários.

 

Fonte: Grupo Editores do Blog.

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