E se construíssemos cidades inteligentes, mas cidadãs?

por Grupo Editores Blog.

 

A dúvida é: e se conseguíssemos promover a construção de cidades inteligentes sem deixar a cidadania de lado?

 

Isso é o que propõe o pesquisador americano Igor Calzada, focado em transformações regionais, urbanas e tecnopolíticas que recentemente levou em consideração questões como inovação social e compartilhamento de dados para propor um diferente olhar para as smart citties, ou seja, cidades inteligentes.

 

Smart City Citizenship

 

Em sua obra chamada “Smart City Citizenship” ele sugere uma nova abordagem para definição de cidades inteligentes, partindo de questões relacionadas a cidadania e democracia.

 

E para tal, ele apresenta como seria possível intervir e pensar diferente em disputas na internet, especialmente aquelas envolvendo o combo tecnologia e suas políticas; por meio de dados, algoritmos e IA (inteligência artificial).

 

Calzada tem como principal objetivo explorar diferentes modelos de inteligência artificial e governança de dados para sugerir caminhos variados que levem a um mesmo fim: um cenário de transformação digital que seja focada no cidadão e em conceitos de cidadania gerais.

 

Como isso seria possível? Por meio de processos de cooperativismo e articulação entre todos os envolvidos, incluindo é claro o próprio poder público.

 

O autor também discorre muito a respeito das cidades experimentais, que são como uma reação para práticas extrativistas e paradoxos criados em meio a um cenário de hiperconectividade.

 

Ao longo deste artigo vamos falar sobre algumas das crenças do autor e soluções propostas por ele na obra “Smart City Cilizenship” para construção de cidades que sejam não só inteligentes, mas igualmente cidadãs. Vamos lá?

 

Construindo cidades inteligentes sem deixar a cidadania de lado

 

Para Calzada as cidades experimentais que vem sendo construídas atualmente são tentativas de reverter uma abordagem de que as smart citties “contaminaram” os desenvolvedores de políticas públicas. Afinal, até imaginar uma cidade como uma plataforma após a revolução digital enfrentada em 2019 fica difícil; assim como no pós cenário de enfrentamento de um vírus a nível global (covid-19).

 

Para fortalecer os regimes alternativos, ele lembra que é necessário reconhecer a transformação que ocorre nos modelos de governança e acesso de dados. Isso porque ainda é recente que os pesquisadores e legisladores começaram a entender os efeitos provocados pelos dados extrativos.

 

Não à toa, a Comissão Europeia tem trabalhado dia e noite para lançar a GDPR – Regulamentação Geral sobre a Proteção de Dados, fenômeno muito similar ao ocorrido no Brasil com a aprovação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Ele reforça que as regiões e cidades ainda estão engatinhando na ideia de novos modelos baseados na crença de que apenas os cidadãos são donos de seus dados, e não o governo, e não as cidades.

 

O pesquisador define ainda que o cooperativismo de plataforma é uma movimentação que está enraizada nos moldes das plataformas digitais e empreendedorismo social. E dentro delas é possível encontrar cooperativas de dados que compartilham esses dados entre os membros, ou seja, por intermediários.

 

O maior desafio, nesse sentido, é compreender até que ponto somos donos dos nossos dados pessoais quando, em fato, eles são extraídos de maneira automática e sem a nossa verdadeira compreensão para alimentação de grandes bancos de dados.

 

Sem que tudo isso se torne claro para todos os cidadãos, os dados não serão interpretados como um bem comum. E é exatamente isso que o livro Smart City Citizenship tenta colocar: a importância de relações assertivas neste sentido para que padrões reais de democracia possam se estabelecer.

 

Ele finaliza afirmando que ainda estamos nos mais iniciais estágios neste sentido, mas que a pandemia e a quantidade de horas que passávamos em nossos computadores e celulares, em casa, compartilhando dados nesse período, acelerou a necessidade de humanização nas smart citties e, inclusive, estimulou a esperança de que essas transformações são possíveis.

 

Fonte: Grupo Editores do Blog.

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