Escritórios vazios viram Casas: Chicago segue Nova York, e o Brasil?

por Grupo Editores Blog.

Texto adaptado de smartcitiesdive.com

 

O histórico Pittsfield Building, arranha-céu Art Deco de 1927 em Chicago, está prestes a ganhar nova vida. O Conselho Municipal aprovou sua conversão em 442 apartamentos residenciais.

É a ponta do iceberg. Chicago tem pelo menos 11 projetos de conversão em andamento, trazendo 1.765 unidades de moradia e reaproveitando 2 milhões de pés quadrados de espaço vazio.

O contexto? A cidade enfrenta déficit de 100 mil moradias enquanto 28% dos escritórios do centro estão vazios — o dobro da taxa de Nova York (13%).

Nova York: modelo que funciona

Nova York viu conversões saltarem de 1,6 milhão de pés quadrados em 2023 para 3,3 milhões em 2024. O segredo?

  • Incentivos fiscais robustos: isenção sistemática de impostos sobre propriedade
  • Processos simplificados: aprovações de zoneamento rápidas
  • Visão de longo prazo: conversões integradas ao plano estratégico

Diferente de Chicago, que adota abordagem “caso a caso”, Nova York criou programa sistemático que torna projetos financeiramente viáveis.

Brasil

Rio de Janeiro

Em 2020, 45% dos imóveis comerciais do Centro estavam vazios. A resposta foi agressiva: isenção de IPTU, redução de ITBI e flexibilização de uso.

Resultados em 4 anos:

  • Vacância caiu de 40% para 27%
  • 53 empreendimentos aprovados
  • 4.300 novas unidades habitacionais
  • Outros 17 projetos na fila (total pode chegar a 5.700 unidades)

Exemplos: antigo Hotel São Francisco virou Casa Mauá, Edifício Mesbla virou Passeio 56.

São Paulo

São Paulo reduziu vacância no Centro de 23% para 3% — mas não por conversões residenciais. Foi pela ocupação de novos empreendimentos corporativos. O Requalifica Centro-SP oferece incentivos para conversões, mas adesão ainda é menor que no Rio.

Por que alguns prédios não podem virar casas?

Chris Sherman, da Sherman Associates: “Apenas cerca de 15% dos edifícios de escritórios são bons candidatos”.

Desafios técnicos:

  • Vão de locação: distância entre fachada e elevadores deve estar entre 10-15m
  • Iluminação natural: apartamentos precisam de janelas; edifícios profundos têm áreas sem luz
  • Infraestrutura: redes elétricas, hidráulicas e HVAC devem ser completamente adaptadas
  • Viabilidade financeira: edifícios mais antigos se qualificam para créditos fiscais, tornando conversões viáveis

Jason Ward, do Centro RAND: “A chave para essas conversões é a adesão do governo local”.

Benefícios urbanos

Revitalização: moradores nos centros aumentam segurança, sustentam comércio local, reduzem deslocamentos.

Sustentabilidade: reutilizar edifícios existentes evita desperdício de demolição e tem menor pegada ambiental.

Habitação nobre: disponibiliza moradia em áreas com infraestrutura completa.

Recomendações para m

unicípios

A Illinois Policy propõe que Chicago siga Nova York:

  1. Reformar incentivos: adotar isenção de impostos sistemática, não caso-a-caso
  2. Integrar ao planejamento: fazer conversões parte central do plano de crescimento
  3. Agilizar aprovações: remover barreiras regulatórias

No Brasil, municípios podem:

  • Oferecer isenção temporária de IPTU e redução de ITBI
  • Facilitar contato entre proprietários e desenvolvedores
  • Integrar conversões aos Planos Diretores

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