Espaços públicos: por que poucos atendem às necessidades da população

por Grupo Editores Blog.

Texto adaptado de smartcitiesdive.com

Qual espaço público te inspira? A organização sem fins lucrativos Project for Public Spaces fez essa pergunta a mais de 700 profissionais do setor em pesquisa para marcar seu 50º aniversário. As respostas nomearam 375 espaços ao redor do mundo.

Dos Estados Unidos, os exemplos vão do Soldotna Creek Park no Alasca (chamado de “quintal de nossa comunidade”) até a “praça de celebração” em frente à Casa Museo Ismael Rivera em San Juan, Porto Rico.

Mas quando perguntaram se esses espaços atendem às necessidades da comunidade, a resposta foi brutal: apenas 5% dos entrevistados disseram que sim.

Problema global dos espaços públicos

Segundo Nate Storring, codiretor executivo da Project for Public Spaces, as cidades fizeram “progresso significativo” melhorando espaços públicos. Mas profissionais do setor acreditam que há “muito trabalho a ser feito”.

Os espaços não estão permitindo plenamente que residentes “saiam, conectem-se com vizinhos e famílias, e atendam necessidades diárias”, afirma.

Os dois maiores obstáculos? Financiamento e burocracia.

Financiamento: o calcanhar de Aquiles

O financiamento é mais desafiador nos Estados Unidos comparado ao resto do mundo. Muitos entrevistados descreveram dificuldades com custos contínuos como “manutenção, programação e pequenos ajustes de design”.

Com cortes federais e congelamento de subsídios na administração Trump, Storring prevê “efeito cascata nos espaços públicos”, pois muitos projetos dependem de financiamento federal de alguma forma.

Ele sugere que cidades busquem financiar espaços públicos por conta própria. Uma opção: pequenas sobretaxas em atividades de entretenimento, como ingressos para jogos esportivos ou apresentações.

Burocracia

Muitos projetos enfrentam desafios de licenciamento que tornam “difícil concretizar coisas, mesmo quando há financiamento”, diz Storring.

Simplificar requisitos burocráticos facilitaria implementação e aproveitamento dos espaços públicos pelas cidades.

Brasil: espaços públicos são prioridade

Enquanto americanos lutam com financiamento, cidades brasileiras demonstram que vontade política transforma praças e parques.

Jundiaí (SP) dobrou número de parques

Em oito anos, Jundiaí dobrou a quantidade de parques e praças pet. Cerca de 5 mil pessoas circulam diariamente entre as 20 praças pet e mais de 10 parques públicos.

Investimento recente: R$ 5 milhões na requalificação de parques Eloy Chaves, Jardim das Tulipas e Corrupira.

Resultado? Jundiaí é considerada a 3ª melhor cidade para se viver entre as 100 maiores do país, segundo indicador IDGM da Macroplan Analytics 2024.

Contagem (MG): R$ 40 milhões em revitalização

Contagem investiu mais de R$ 40 milhões em reformas e requalificações de praças, parques e áreas verdes. Adicione R$ 18 milhões para zeladoria — limpeza, capina, varrição e manutenção.

Em quatro meses, entregou oito praças revitalizadas e uma nova, melhorando qualidade dos espaços públicos.

Canoas (RS): R$ 5,7 milhões em 36 Praças

A segunda etapa do programa de revitalização contempla 36 espaços em todas as regiões. Obras incluem recuperação de quadras esportivas, pintura, conserto de grades, reforma de piso e calçamento, instalação de novos bancos, brinquedos e lixeiras.

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